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Lesões no padel: o que os estudos dizem (cotovelo, tornozelo, olho)

6 min de leitura

Metade dos jogadores amadores de padel se machuca em seis meses. Não é impressão de vestiário: é o número de um levantamento com 364 jogadores publicado em 2025. E o mais interessante é que iniciante, intermediário e avançado se lesionam na mesma proporção. O esporte é fácil de começar, mas o corpo não recebe o aviso.

Este texto junta o que a pesquisa científica já mediu sobre lesão no padel, com número e fonte. Nada de "cuide do seu corpo": aqui é onde dói, com que frequência e o que os próprios estudos apontam como fator de risco.

Quantos jogadores se machucam

A revisão sistemática mais citada sobre o tema foi publicada em 2023 no BMJ Open Sport & Exercise Medicine por Dahmen e colegas. Ela reuniu oito estudos com 2.022 jogadores e chegou a uma faixa de prevalência de 40% a 95%, dependendo da intensidade de jogo e de como cada estudo definiu "lesão".

A taxa de incidência ficou em 3 lesões a cada 1.000 horas de treino e 8 lesões a cada 1.000 partidas. Traduzindo para o jogador de fim de semana: quem joga duas partidas por semana acumula cerca de 100 partidas por ano, então a conta dá menos de uma lesão por ano por jogador. Parece pouco até ser a sua.

Dois levantamentos de 2025 confirmaram o quadro em amadores:

Onde dói: cotovelo em cima, tornozelo embaixo

A revisão de 2023 coloca o cotovelo como o local mais comum, seguido de joelho, ombro e lombar. Os dois estudos de 2025 detalham a distribuição:

O padrão é o mesmo nos dois países: a lesão de membro superior é o cotovelo (a famosa epicondilite, o "cotovelo de tenista" que no padel virou de padelista), e a de membro inferior é o tornozelo. Joelho e ombro disputam o terceiro lugar.

O tipo de tecido também se repete. Em Portugal, 35,6% das lesões foram em tendão e 26,1% em músculo. No Chile, tendão e músculo empataram em 26,1% cada, com ligamento em 16,3%. Fratura é rara.

Lesão que chega devagar e lesão que chega de uma vez

O estudo chileno separou as lesões por forma de início, e o resultado ajuda a entender o que prevenir:

Ou seja: o cotovelo avisa. Dói um pouco depois do jogo, depois dói durante, depois não deixa jogar. O tornozelo não avisa. Isso muda a estratégia: cotovelo se protege com volume de jogo e técnica, tornozelo se protege com calçado certo e o pé preparado para frear.

O que os estudos apontam como fator de risco

Nenhum dos levantamentos encontrou diferença por sexo ou idade na chance de se machucar. No Chile, a prevalência foi de 53,7% entre mulheres e 53,9% entre homens; abaixo e acima de 36 anos deu 53,2% contra 54,5%. O nível de jogo também não protegeu: iniciantes 53,1%, avançados 54,8%.

O que apareceu como associado a lesão foi outra coisa:

A revisão de 2023 e o estudo chileno destacam que quem já teve lesão tem mais chance de repetir. Voltar antes da hora é o erro mais caro.

A lesão que ninguém fala: o olho

Um levantamento publicado em 2026 na revista Eye por Aiello e colegas ouviu 583 jogadores ativos e encontrou 10,3% com pelo menos uma lesão ocular por causa do padel. Em 92% dos casos o agente foi a bola; nos outros 8%, a própria raquete.

As lesões mais comuns foram abrasão de córnea (32%) e hemorragia subconjuntival (22%). Dos 60 lesionados, 6 precisaram de cirurgia e 15% relataram efeito duradouro na visão. Mesmo assim, só 9,6% dos entrevistados defendem o uso de óculos de proteção.

A bola de padel tem menos pressão que a de tênis, mas o jogo acontece a 10 metros do adversário, com bandeja e víbora vindo na altura do rosto. Quem joga na rede leva bolada. A diferença entre um susto e uma córnea arranhada é um óculos de policarbonato de 100 reais.

O que dá para fazer com esses números

A lista abaixo é o que os estudos permitem afirmar, sem inventar:

Se você está vindo do tênis, vale ler também as regras do padel para quem vem do tênis: boa parte da sobrecarga no cotovelo vem de tentar bater no padel como se bate no tênis.

Um aviso sobre os números

Todos os estudos citados usaram questionário respondido pelo próprio jogador, o que tende a inflar prevalência e a bagunçar a definição de "lesão". A própria revisão de 2023 avisa que a literatura ainda é limitada. Os números servem para ordem de grandeza e para saber onde olhar, não para estatística de consultório.

O padel cresceu mais rápido que a pesquisa sobre ele. Enquanto a ciência corre atrás, o jogador que aquece, treina um pouco fora da quadra e respeita o cansaço já está do lado certo dos percentuais. E se a dúvida for quantas partidas o corpo aguenta por semana, o app Bora mostra a agenda das quadras e as partidas abertas; só não resolve o cotovelo.

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