Quantas quadras de padel a sua cidade aguenta?
Antes de assinar o contrato da sua quadra, calcule uma coisa só: quantos habitantes existem por quadra de padel na sua cidade. É a conta mais barata de fazer e a que mais gente pula.
A pergunta "cabe mais uma quadra aqui?" costuma ser respondida no olhômetro, com o dono olhando a fila de espera do clube vizinho num sábado à noite. Sábado à noite lota em qualquer cidade. O que decide se o investimento paga é o resto da semana, e isso depende de quanta gente existe por quadra disponível.
A conta: habitantes por quadra
Pegue a população do município (o IBGE publica por cidade), conte todas as quadras de padel em operação e divida. O número que sai é o seu indicador de saturação.
Três referências para comparar:
- Espanha: 17.300 quadras para 49.128.297 habitantes, ou 1 quadra a cada 2.840 pessoas. Os dados de quadras são do FIP World Padel Report 2025, apresentado em novembro de 2025; a população é do Censo Anual do INE de 2025. É o mercado mais maduro do mundo, e ainda assim continua abrindo quadra.
- Brasil: mais de 2 mil quadras segundo a Confederação Brasileira de Padel, citadas pela Gazeta de São Paulo, para 213.421.037 habitantes (IBGE, estimativa de julho de 2025). Dá 1 quadra a cada 106 mil pessoas.
- Campo Grande: no levantamento próprio do Bora, atualizado em 29/08/2026, mapeamos 6 clubes de padel na cidade e pelo menos 21 quadras em operação (um dos clubes não tem número confirmado em fonte pública, então o real é maior). Com 962.883 habitantes na estimativa do IBGE para 2025, dá 1 quadra a cada 45.900 pessoas.
A leitura: Campo Grande já tem o dobro da densidade média brasileira de quadras por habitante, e mesmo assim está 16 vezes atrás da Espanha. Se a capital tivesse a densidade espanhola, seriam 339 quadras em vez de 21.
O que esse número quer dizer (e o que não quer)
Densidade baixa não é sinônimo de dinheiro fácil. A Espanha tem uma quadra a cada 2.840 pessoas porque o esporte está no cotidiano de lá há décadas, com clube de bairro, aluguel avulso barato e gente jogando de terça de manhã. No Brasil o padel ainda é um esporte de nicho com curva de adoção rápida: a Confederação estima três novas quadras inauguradas por dia no país, número citado pela Exame em janeiro de 2026.
Então o indicador serve para duas coisas concretas:
1. Comparar cidades. Se você está decidindo entre duas praças, a que tem mais habitantes por quadra tem mais demanda não atendida por quadra construída. É o filtro mais rápido que existe.
2. Estimar o teto, não o presente. Habitantes por quadra dá o tamanho do buraco. Quem enche esse buraco é o marketing e a operação, não a planta baixa.
Uma ressalva honesta sobre o nosso número: o levantamento do Bora conta clubes com quadra aberta ao público, encontrados em fonte pública (site, Instagram, imprensa, federação). Quadra de condomínio, de clube social fechado e obra que ainda não abriu ficam de fora. O denominador real de Campo Grande é um pouco maior do que 21.
O erro de quem só olha a densidade
Cidade com poucas quadras por habitante é uma boa notícia até a segunda quadra ficar pronta. Aí o problema muda de figura: não é mais achar demanda, é fazer a demanda aparecer nos horários que ninguém quer. Nenhuma quadra fecha por causa do sábado às 19h. Fecha por causa da terça às 14h.
Duas contas que vêm depois dessa e que valem mais que ela:
- o CAPEX e o tempo de retorno, em quanto custa montar uma quadra de padel e o payback real;
- a ocupação dos horários mortos, em como encher os horários vagos da quadra.
E do lado do jogador, o preço que essa densidade produz está aberto em padel é caro? a conta completa de jogar no Brasil.
Se você é dono de clube e quer o número da sua cidade, faz a conta com a estimativa do IBGE do seu município e a lista de quadras que você conhece. Se der acima de 50 mil habitantes por quadra, o mercado ainda está aberto. Se der abaixo de 10 mil, o jogo virou operação: quem preenche melhor a agenda ganha. É exatamente esse pedaço que o Bora resolve, colocando a agenda do clube na frente de quem procura jogo.