Ranking de padel: como funciona a pontuação (pro e amador)
No padel existe mais de um ranking, e eles não conversam entre si. O profissional conta pontos por torneio. O brasileiro conta pontos por etapa. O do seu clube, se tiver um que preste, conta cada partida. Este post explica os três, com os números de cada um e a matemática que faz alguém subir ou descer.
O ranking profissional: 2.000 pontos por Major
O ranking da FIP (Federação Internacional de Padel) em 2026 soma os 22 melhores resultados de cada jogador nos torneios do Premier Padel e do CUPRA FIP Tour. A regra está publicada na página oficial do sistema de ranking da FIP.
Os pontos valem por 52 semanas. Quem ganhou um torneio em maio de 2025 precisa repetir a dose em maio de 2026 ou vê os pontos sumirem. Por isso o topo do ranking muda mesmo sem ninguém perder final: basta parar de jogar.
O valor do título depende da categoria do torneio. Segundo o guia da temporada 2026 da Red Bull, publicado em 16/02/2026, o campeão de um Major leva 2.000 pontos, o de um P1 leva 1.000 e o de um P2 leva 500. O vice de um Major fica com 1.200. Ou seja, um Major vale dois P1.
Os pontos também definem quem é cabeça de chave: a dupla é semeada pela soma do ranking dos dois jogadores. Quem tem ponto pega chave mais fácil, e quem pega chave mais fácil faz mais ponto. O sistema premia constância acima de tudo.
O ranking brasileiro: 2.000 por etapa, 12 meses de janela
No Brasil, a COBRAPA (Confederação Brasileira de Padel) mantém ranking de atletas e de clubes, com categorias que vão do profissional ao amador, sub-16 e sênior. O regulamento vigente é a versão de 31/08/2026, disponível na página institucional da confederação. O ranking é atualizado por etapa do Campeonato Brasileiro.
No circuito Brasil Padel Tour, o campeão de cada etapa leva 2.000 pontos e o vice 1.200, com janela de 12 meses e atualização toda segunda-feira. A quarta etapa de 2026 paga bônus de 50%. Os números estão no levantamento da Padelandia sobre o ranking brasileiro.
Repare no padrão: pro e nacional usam a mesma lógica. Ponto por colocação em torneio, janela de um ano, quem não joga cai.
Por que ponto por torneio não serve pro seu clube
Essa lógica mede presença, não força. Um jogador de nível 3 que disputa dez torneios abertos no ano termina na frente de um jogador de nível 5 que disputa dois. Pra circuito profissional isso é aceitável, porque todo mundo joga o calendário inteiro.
No clube, a maioria não joga torneio nenhum. Joga racha de terça e sábado. Se o ranking só conta torneio, ele ignora 95% das partidas que acontecem na quadra e fica com meia dúzia de nomes.
Pra amador, o que funciona é o outro modelo: pontuar cada partida com base em quem ganhou de quem.
Como funciona um Elo no padel
O modelo se chama Elo, foi inventado pro xadrez e virou padrão de videogame competitivo. A ideia cabe em três frases. Cada jogador tem um número. Antes da partida, o sistema calcula o resultado esperado comparando os números das duas duplas. Depois, ajusta os números conforme o resultado real ficou longe ou perto do esperado.
Ganhar de quem é mais forte rende muito ponto. Ganhar de quem é mais fraco rende quase nada, porque era o esperado. Perder de quem é mais fraco custa caro.
É essa a matemática por trás do nível 0 a 7 que a Playtomic popularizou, explicada na central de ajuda deles. Só partida competitiva mexe no nível. O sistema calcula o nível médio de cada dupla, compara esperado com real e ajusta. E existe um fator de confiabilidade: quem tem poucas partidas oscila muito, quem tem muitas oscila pouco. Se você ainda não sabe em que faixa se encaixa, o guia dos níveis de padel de 0 a 7 explica cada degrau.
Um exemplo com números reais
O Bora tem um ranking desse tipo no ar desde 14/08/2026, opcional por clube. Vale como exemplo porque a fórmula é pública e simples.
- Todo jogador começa com 1.000 pontos.
- Cada partida tem um nível, que é a faixa mínima cadastrada ou a média do nível dos jogadores.
- A base de pontos da partida é 20 mais 6 vezes o nível, presa entre 22 e 62.
- Quem ganha soma a base. Quem perde tira cinco sextos da base.
Na prática: partida de nível 1 paga +26 na vitória e tira 22 na derrota. Nível 3 paga +38 e tira 32. Nível 5 paga +50 e tira 42. Nível 6,5 ou mais paga +59 e tira 49. Partida forte movimenta mais que o dobro de uma partida fraca.
Tem uma escolha de projeto escancarada aí: a derrota custa menos que a vitória rende. Quem joga muito e ganha metade sobe devagar mesmo assim. Isso é proposital, pra recompensar quem aparece na quadra, mas é bom saber que o número mistura força com frequência. Um ranking que só quisesse medir força faria vitória e derrota valerem o mesmo.
Só conta quando o placar é registrado com os vencedores, e o clube precisa ter ligado o ranking. Partida sem resultado não mexe em nada. Cada partida pontua uma vez por jogador, então registrar duas vezes não dobra ponto.
Qual ranking importa pra você
- Se você disputa torneio federado, é o da COBRAPA. Olhe a tabela de pontos por rodada da sua categoria antes de escolher em qual etapa se inscrever.
- Se você quer saber se está melhorando, é o Elo do seu clube ou app. Ele mede quem você ganha e de quem perde, não quantas inscrições pagou.
- Se você quer montar jogo parelho, nenhum dos dois basta sozinho. Use o número como ponto de partida e o primeiro set como teste real. Quem está começando encontra o resto do caminho no guia de padel para iniciantes.
Ranking bom é o que a galera do clube olha na segunda pra saber quem tem que vencer no sábado. No Bora ele fica numa aba própria com pódio e filtro por cidade e por clube, e o dono do clube liga quando quiser. Se o seu clube ainda não tem um, agora você sabe o que pedir.